Sobre Nós

Cortume Runge

Cinco gerações de conhecimento em peles naturais

Nossa História

Uma tradição familiar que atravessa cinco gerações

A história do Cortume Runge não começou com uma fábrica, nem com uma marca. Começou com o conhecimento de uma família.

As origens da tradição da família Runge no trabalho com peles remontam à Alemanha, na década de 1880, quando o pai de Henrik Runge já atuava no comércio de peles, especialmente peles com lã. Naquele período, o pergaminho também fazia parte dos materiais trabalhados pela família, ainda em pequena escala.

Esse conhecimento atravessaria gerações, continentes e profundas transformações da indústria do couro.

I · 1925 – 1937

Da Alemanha para o Brasil

Em 1925, após as transformações provocadas pela Primeira Guerra Mundial na Europa, Henrik Runge, Walentyna Runge e seu filho Peter Paul Runge chegaram ao Brasil. Peter Paul, ainda criança, seria posteriormente registrado no país como Pedro Paulo Runge.

Ainda na década de 1920, a família retomou no Brasil sua atividade com peles. Henrik trouxe consigo experiência principalmente na produção de camurças de cabra e peles finas para luvas, artigos de grande importância naquele período.

Seu conhecimento técnico também esteve ligado ao Cortume Matarazzo, em São Caetano do Sul, onde participou do desenvolvimento e da produção de camurças de cabra e peles para luvas.

Em 1931, a família estabeleceu o Cortume Henrique Runge, na Vila Clementino, em São Paulo. É desse período que se origina a identidade visual que atravessaria a história da empresa e permanece representada em nosso logotipo até hoje.

Em 1937, a operação foi transferida para Santo André, onde se consolidou definitivamente o nome Cortume Runge. Começava ali um capítulo que duraria quase nove décadas no mesmo município.

Antiga fachada do Cortume Runge em Santo André
A antiga fachada do Cortume Runge em Santo André
II · Pedro Paulo Runge

Uma geração dedicada à inovação

Pedro Paulo Runge de guarda-pó
Pedro Paulo Runge

Com o passar dos anos, Pedro Paulo Runge passou a trabalhar ao lado da família e teve papel importante na expansão e especialização da produção.

Entre seus trabalhos esteve o desenvolvimento de pelicas extremamente macias de carneiro, destinadas ao mercado de vestuário e principalmente de calçados. Para a Jacometti Calçados, Pedro Paulo participou do desenvolvimento de uma pelica especialmente macia para aplicação em calçados, em uma época na qual o domínio sobre toque, elasticidade e acabamento natural das peles representava um importante diferencial técnico.

Mas outra história iniciada naquele período permanece viva até hoje.

No final de 1956, o Cortume Runge iniciou um trabalho para a Mercedes-Benz Caminhões no Brasil, desenvolvendo o tradicional chamois natural para limpeza automotiva, conhecido durante gerações como a “camurça da Mercedes”.

A relação atravessou décadas e o produto continua sendo fornecido pelo Cortume Runge. Entre os registros históricos preservados pela empresa está seu antigo número de cadastro de produto: 120, testemunho da longevidade dessa relação industrial.

III · Anos 1970 – 1980

Novas técnicas, novos mercados

Na década de 1970, uma nova geração ingressou na empresa. Pedro Henrique Runge, filho de Pedro Paulo e Leonilda Runge, passou a desenvolver diferentes especialidades dentro do curtume.

Sua atuação envolveu peles com pelo, couros metalizados, estampas fantasia e couros exóticos, ampliando novamente as possibilidades técnicas da empresa e acompanhando as transformações da moda e do design.

Na década de 1980, sua irmã Valentina Runge deu continuidade ao legado iniciado pelos avós e desenvolvido por seus pais e irmão. Com sua participação, permaneceram vivos tanto os artigos tradicionais quanto a capacidade da família de desenvolver produtos especiais para diferentes mercados.

E durante todas essas transformações, um material permaneceu presente: o pergaminho.

Peles de pergaminho natural em secagem no Cortume RungeValentina Sofia Runge segurando uma pele de pergaminho natural
Pergaminho natural em secagem · Valentina Sofia Runge com uma pele de pergaminho no curtume, em Santo André
IV · Desde o século XIX

O pergaminho através das gerações

O conhecimento familiar relacionado ao pergaminho remonta às origens da família Runge na Alemanha, ainda no século XIX. No Brasil, a disponibilidade de matéria-prima e a crescente demanda permitiram ampliar gradualmente sua produção.

Ao longo das décadas, o pergaminho produzido pelo Cortume Runge encontrou aplicações em diplomas, certificados, convites, encadernação, luminárias, instrumentos, decoração e revestimento de mobiliário, preservando uma técnica artesanal mesmo enquanto a indústria ao redor se transformava.

Cada pele mantém características próprias de um material natural: nuances de tonalidade, textura, transparência e marcas que fazem com que nenhuma peça seja exatamente igual à outra.

Para a família Runge, o pergaminho nunca foi simplesmente mais um produto.
Ele é um conhecimento transmitido entre gerações.

V · 1995 – 2007

Uma nova geração

Carlos Runge iniciou sua trajetória no Cortume Runge em 1995. Em 1996, deixou temporariamente a empresa para estudar no exterior e, ao retornar em 1997, passou a concentrar seu trabalho no desenvolvimento de novos produtos e aplicações para os mercados de moda, decoração e design.

Era um período em que diferentes setores começavam a redescobrir materiais naturais e a substituir determinadas soluções sintéticas por couro verdadeiro. Nesse contexto, foram desenvolvidos couros especiais para customização automotiva e motocicletas, incluindo projetos destinados a modelos de marcas como Harley-Davidson, Indian Motorcycle e outras referências do segmento custom.

Outra especialização foi o trabalho com peles exóticas. O Cortume Runge esteve entre os pioneiros no desenvolvimento do curtimento de peles de avestruz em escala no Brasil. Em 2007, a empresa realizou uma exportação de peles de avestruz para a África, então principal referência mundial na produção e industrialização desse tipo de couro.

Mais uma vez, conhecimento técnico desenvolvido ao longo de gerações permitia ao Cortume Runge entrar em um novo mercado.

Mesa revestida em pergaminho natural
Pergaminho natural aplicado ao mobiliário
VI · Desde 2010

Do pergaminho ao mobiliário

Por volta de 2010, iniciou-se outro capítulo importante. Em colaboração com Nico, da Vermeil Móveis, Carlos Runge começou a desenvolver soluções para a aplicação do pergaminho em painéis decorativos e mobiliário.

O desafio inicial era solucionar uma necessidade concreta de produção. A partir dele, porém, nasceu um novo campo de especialização. Não bastava produzir um excelente pergaminho. Era necessário compreender como selecionar, preparar, combinar e aplicar diferentes peles para transformar um material naturalmente irregular em superfícies sofisticadas.

Desde então, Carlos Runge vem aperfeiçoando técnicas de revestimento, acabamento e desenvolvimento de projetos, além de colaborar com profissionais e empresas na introdução e aprimoramento do uso do pergaminho no mobiliário e na decoração.

Ao longo dessa trajetória, o trabalho do Cortume Runge esteve ligado a projetos e desenvolvimentos para nomes como Vermeil, EREA, Olho Interni, Empório Beraldin e ETEL, entre outros profissionais e empresas do mercado de mobiliário e interiores.

O conhecimento deixou de estar somente na fabricação do pergaminho. Passou a estar também na sua aplicação.

VII · 2025

Um novo capítulo

Depois de décadas construindo sua história em Santo André, em 2025 o Cortume Runge transferiu sua operação para Serra Negra, São Paulo.

A nova unidade foi concebida com uma direção mais especializada: dedicar-se à produção de pergaminhos naturais de alto padrão, revestimentos, painéis e acabamentos especiais para mobiliário e interiores.

Ao mesmo tempo, continuam fazendo parte de nossa história as aplicações tradicionais que acompanharam o pergaminho durante gerações — da encadernação aos diplomas, dos certificados e convites aos instrumentos e luminárias.

Mudaram as cidades.
Mudaram os mercados.
Mudaram as aplicações.
Mudaram as gerações.

O conhecimento permaneceu.

Hoje, cinco gerações depois das primeiras atividades da família Runge com peles na Alemanha, continuamos trabalhando com a mesma matéria-prima que atravessou toda essa história.

Linha do tempo

Anos 1880Alemanha — a família Runge atua no comércio de peles e no pergaminho
1925Henrik, Walentyna e Peter Paul Runge chegam ao Brasil
1931Fundação do Cortume Henrique Runge, na Vila Clementino, São Paulo
1937Transferência para Santo André e consolidação do nome Cortume Runge
1956Início do fornecimento do chamois natural para a Mercedes-Benz
Anos 1970Pedro Henrique Runge amplia as especialidades do curtume
Anos 1980Valentina Runge dá continuidade ao legado da família
1995Carlos Runge inicia sua trajetória na empresa
2007Exportação de peles de avestruz para a África
~2010Início do pergaminho aplicado a painéis e mobiliário
2025Nova operação em Serra Negra, SP

Parchment has always been part of our story.

Cortume Runge

Five generations of knowledge in natural hides.
From Germany to Brazil. From tradition to contemporary design.